sábado, 20 de dezembro de 2014

Oposição deve ao país um balanço da Copa.

Final de ano é época de balanço. O fiasco dentro do campo não pode fazer com que esqueçamos o fracasso da Copa do Mundo para a economia do país. E a Oposição deve ter coragem de fazer este balanço didático e pedagógico. É preciso deixar gravado na memória dos brasileiros a corrupção sem freios que chegou a superfaturar o Mané Garrincha, em Brasília, em mais de R$ 400 milhões, segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal. É preciso deixar registrado para a história a promessa das obras que não foram feitas, mais aquelas que não foram finalizadas, além das várias que tiveram seus preços inflados pela corrupção. Mas há outras mentiras como a de que haveria um enorme ganho com a movimentação turística. Pois bem. Mesmo recebendo um milhão a mais de turistas, que deixaram aqui U$ 2,5 bilhões segundo estimativas nunca fechadas, esta conta continua aumentando o seu déficit. Em novembro, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora com o que os estrangeiros gastaram aqui dentro fechou com U$ 17,1 bilhões de saldo negativo, contra U$ 16,6 bilhões em novembro de 2013. No ano da Copa, o prejuízo já aumentou em U$ 500 milhões! Diante da magnitude deste número, vemos o quanto este evento foi inócuo e o quanto de lorota havia nos estudos da FGV, Sebrae e Ministério do Turismo. A Oposição tem a obrigação de contar a história real da Copa do Mundo, no que se refere ao fiasco econômico. Até porque vem aí a Rio 2016, que vai custar ainda mais caro. Todos os indicadores apontam para a repetição dos mesmos erros. É dever da Oposição dar o grito de alerta.

Aécio Neves: oposição de 51 milhões de eleitores incomoda profundamente o PT.

Abaixo, reproduzimos coluna de Aécio Neves, publicada em O Globo, intitulada " O lugar da Oposição":

Uma coisa é preciso reconhecer: a retórica petista costuma ser muito bem ensaiada e orquestrada quando se trata de tentar impor uma “verdade” à opinião pública. Agora, o mantra parece um só: “A eleição acabou, é preciso descer do palanque.” É o que ouvimos, dia após dia, de políticos e autoridades ligados ao partido, numa tentativa de desqualificar a voz da oposição. Mas, afinal, o que incomoda tanto essas pessoas?

O fato é que eles estão perplexos diante do país novo que surgiu das urnas. Como é de conhecimento público, ainda no fim do dia 26 de outubro, telefonei para a presidente para cumprimentá-la pela vitória. Não houve qualquer questionamento quanto ao resultado da votação. Cumpri, em nome da coligação que representava, o rito civilizado e democrático de cumprimentar o vencedor, embora, de forma surpreendente para muitos analistas, a presidente, em seguida, tenha optado por omitir da população essa informação como seria a praxe e tradição.

A eleição acabou, de fato, há quase dois meses. Apesar da utilização maciça de métodos pouco éticos, o grupo petista conquistou o direito de permanecer no comando do país. Outro resultado que merece o mesmo respeito é a constatação de que há uma oposição referendada por 51 milhões de brasileiros. O tamanho da derrota do PSDB parece incomodar profundamente o PT.

Esta parece ser a grande novidade da cena política. Pela primeira vez, nos últimos anos, se configura a existência de uma oposição ampla, profundamente conectada à opinião pública. Chega a ser constrangedora a posição do partido governista diante da dificuldade de lidar com esta realidade.

A agremiação que protagonizou a mais ferrenha, intransigente e sistemática oposição contra todos os avanços institucionais implantados no país desde a redemocratização, a começar pelo Plano Real, hoje prega a necessidade de uma oposição silenciosa e se ofende com a presença de brasileiros nas ruas, indignados com a corrupção.

A sociedade está dizendo, em alto e bom som, que não aceita mais os métodos utilizados pelo PT, mas há quem não queira ouvir, justamente porque ainda não desceu do palanque. Perplexo, o partido enxerga brasileiros mobilizados em defesa do país apenas como adversários do PT.

Sair do palanque implica reconhecer que há papéis distintos na democracia, e um destes papéis cabe à oposição exercer, fiscalizando o poder, denunciando erros e abusos, inquirindo as autoridades, apresentando alternativas.

Na lógica do PT, só têm o direito de ocupar as ruas os movimentos que defendem o partido. Para tentar tirar a legitimidade de milhões de brasileiros, de forma desrespeitosa, tentam associar todos os opositores a defensores de ditaduras. É importante que o partido aprenda a conviver com esse novo protagonista da cena política — o cidadão que democraticamente protesta e não se cala. Pois, ao lado dele, a oposição também não vai se calar.

A vitória deu ao PT a oportunidade de corrigir erros que não foram poucos, mas não lhe garantirá salvo-conduto para continuar atentando contra a ética e a inteligência dos brasileiros. 

Aécio Neves é senador por Minas Gerais e presidente do PSDB.

Lindbergh: de cara pintada à cara de pau.

Lindbergh, um especialista em Petrobras, até livro lançou sobre o tema. Segundo Paulo Roberto Costa, ele também é um dos autores mais expressivos do Petrolão.

O senador petista Lindbergh Farias (RJ) anda à beira de um ataque de nervos. Citado como um dos beneficiários do Petrolão, com dinheiro proveniente da roubalheira do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), aparece várias vezes na delação premiada de Paulo Roberto Costa. O ex-cara pintada e atual cara de pau confirma que esteve com o ex-diretor da Petrobras, mas a sua história é uma piada. "Lindinho" diz que não foi procurar o corrupto, que foi procurado por Costa, que se ofereceu para arranjar doações para a sua campanha.

Segundo ele declarou ao Estadão, foram realizados apenas três encontros com o ex-diretor em janeiro deste ano para uma ajuda na elaboração do programa de governo. Como ele estava com dificuldades para arrecadar fundos, Costa teria se oferecido para entrar em contato com empresas que fariam essas doações. "A gente discutiu naquele dia sobre conversar com empresas para fazer doações legais para nossa campanha, mas isso não aconteceu porque logo depois ele foi preso", justificou.

Ora, quem acompanhou a campanha no Rio de Janeiro sabe que Lindbergh foi rifado pelo PT. Dilma ficou neutra no estado, apoiando Pezão, Garotinho, Crivella e quem mais aparecesse. O senador petista sempre esteve na rabeira nas pesquisas, sem nenhuma chance de ir ao segundo turno. Sua candidatura foi uma teimosia pessoal. Diante deste quadro, por que Paulo Roberto Costa apoiaria de forma espontânea a sua candidatura? Não é mais lógico que o petista tenha procurado o homem do dinheiro na Petrobras, na tentativa de viabilizar financeiramente a sua campanha?

Ontem o senador Lindbergh, num gesto midiático e patético, foi à Procuradoria Geral da República pedir para que sejam aceleradas as investigações da Operação Lava Jato, "para separar o joio do trigo". Ora, o petista sabe que existe um recesso no Judiciário e que as denúncias serão feitas apenas em fevereiro de 2015. Alguém deveria informar ao petista que não existe "trigo" nesta questão. Só existe "joio". E que ele não tenha pressa, pois a sua hora vai chegar. Ah, vai!

O que dá pra rir dá pra chorar.

O choro de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) na sua despedida da presidência da Câmara dos Deputados e do mandato parlamentar não foi de emoção com as falsas homenagens tão normais nestes momentos da vida pública. Foi de medo. Derrotado pelo candidato do PT na disputa pelo governo do seu estado, por ter sido traído por Lula e Dilma, a quem tanto serviu ao longo dos anos, Alves deveria receber um ministério como prêmio de consolação. Micou! Seu nome encabeça a lista da delação premiada de Paulo Roberto Costa como um dos políticos peemedebistas que receberam propina do Petrolão. Hoje o Estadão informa que Dilma Rousseff já tirou o nome de Alves da lista dos ministeriáveis, pois não quer levar a crise para dentro do Palácio do Planalto. Com isso, Alves não terá imunidade parlamentar e será julgado como um criminoso comum, se ficar provada a sua participação no Petrolão.

Depois de subsidiar as empreiteiras do Petrolão e os principais doadores da campanha da Dilma, o BNDES reduz financiamentos e sobe os juros.

Os juros do BNDES para amigos do governo Dilma fizeram nascer, por exemplo, a JBS, que foi a principal doadora das campanhas do PT com mais de R$ 160 milhões e cujo monopólio fez a carne subir 20% em 2015.

Em reunião nesta sexta (19) com Dilma Rousseff, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e seu sucessor, Joaquim Levy, decidiram elevar as principais taxas de juros para empréstimos de longo prazo a empresas no país, a TJLP e a do PSI (Programa de Sustentação do Investimento). A TJLP, adotada em 90% dos empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), será de 5,5% no primeiro trimestre de 2015. Hoje, está em 5% ao ano. 

É a primeira elevação desde outubro de 2003, início do governo Lula (2003-2010), quando os juros de longo prazo estavam em 12% ao ano. Ela foi sendo reduzida até atingir 5%, em janeiro de 2012. No caso do PSI, a taxa final ao tomador está entre 4% e 8% ao ano e passará para uma faixa entre 6,5% e 10% ao ano. 

Essa linha, criada na crise de 2009, terá R$ 50 bilhões adicionais em 2015, recursos que já estão com o BNDES. Em 2014, foram repassados R$ 80 bilhões. O saldo hoje do programa está em R$ 378 bilhões. O percentual de financiamento dos bens vai cair de até 100% para até 70%. 

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Caffarelli, o governo considerou que era chegado o momento de reduzir o subsídio do governo a esse tipo de crédito e melhorar o resultado das contas públicas. "São taxas atrativas comparadas com as de mercado, mas foram ajustadas para que se mantenha a premissa de subsídios zero", afirmou, acrescentando que as taxas são compatíveis com uma meta de superavit primário de 1,2% do PIB para 2015 e de 2% em 2016 e 2017. 

Ao falar em subsídio zero, o governo se refere apenas ao fim da obrigação de o Tesouro remunerar o BNDES pelo risco desse crédito e da margem de ganho do banco. Essa despesa foi de R$ 18 bilhões desde 2009. Segundo Caffarelli, o banco tem outros recursos, como retorno de empréstimos já concedidos, para usar no PSI. O percentual valerá até 31 de março, quando será revisto pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), formado por BC, Fazenda e Planejamento.(Folha de São Paulo)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo." Joaquim Barbosa, profético, ao final do épico julgamento do Mensalão.


Registramos, abaixo, manifestações das principais autoridades do Judiciário do país, ao longo deste ano, que indicam que o primeiro negro a presidente a Suprema Corte estava coberto de razão. O que ocorreu no Mensalão não nos dá grandes esperanças quando se trata do mega esquema do Petrolão. O povo brasileiro deve estar em alerta, em estado de máxima atenção, pois estamos caminhando para um estado de coisas que ameaça seriamente a democracia.

“Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação.” – Rodrigo Janot, Procurador Geral da República.

Foi comprovado que não havia ligação alguma do advogado de Youssef com o PSDB. O PGR foi desmentido. Ele sim, partidarizou na ocasião uma afirmação baseada em delação premiada. Aliás, hoje o STF acatou integralmente a delação do doleiro, sem retirar uma vírgula das suas denúncias, inclusive a que afirma que Lula e Dilma sabiam de tudo.

"Eleições concluídas são, para o poder Judiciário Eleitoral, uma página virada. Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Que os especuladores se calem. Não há espaço. Já conversei com a corte e é esta a posição inclusive de nosso corregedor geral eleitoral. Não há espaço para terceiro turno que possa vir a cassar o voto destes 54.501.118 eleitores" – José Dias Toffoli, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral

Esta declaração inusitada foi dada ontem, em discurso proferido na diplomação de Dilma Rousseff e no mesmo dia em que o PSDB protocolou ação pedindo a cassação do mandato da presidente reeleita. Uma declaração que divide os brasileiros entre os que votaram em Dilma e portanto estão dentro da lei e os que não votaram nela e que, portanto, não são merecedores da proteção da Justiça, dada pelo presidente do tribunal que deverá julgar com isenção o pleito legítimo da Oposição. Uma declaração parcial, que coloca sob suspeita o presidente do TSE e “toda a corte” que foi envolvida por ele na sua manifestação. Ontem, o passado de Toffoli o condenou, justamente na presença de um ex-presidente e de uma presidente envolvidos em denúncias de corrupção e que foram responsáveis únicos pela sua nomeação para o STF, uma nomeação política, jamais baseada em biografia ou em serviços prestados ao país. 

"Concluo julgando improcedente a denúncia (de formação de quadrilha) com relação a todos os réus e, coerentemente com o que assento agora, peço vênia, tal como fizeram colegas, para rever o voto que proferi anteriormente.”Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Ainda como ministro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, revisor da Ação Penal 470, todos os 13 réus acusados de formação de quadrilha no Capítulo 2 do processo do mensalão. Mudou o voto para absolver parlamentares petistas antes condenados por ele. Lewandowski defendeu a estapafúrdia tese para quem os réus nem sempre se associam como quadrilha para cometer crimes. Com isso, reduziu drasticamente as penas dos corruptos do PT e ajudou um STF aparelhado a revisar uma decisão já transitada em julgado.

"Importante ter claro que as críticas que foram feitas pelos técnicos são meramente formais. Em nenhum momento se acusou de doações ilegais ou início de caixa dois. Foram críticas formais. Essas críticas formais, segundo os advogados da campanha, são facilmente respondidas...Eu confio que o plenário do TSE irá aprovar as contas da presidente, até porque os argumentos que foram lançados pela assessoria técnica possivelmente vão levar, se acolhidos pelos tribunais regionais do país, a rejeição de todas as contas porque os fatos que são colocados qualificam uma mudança no que vinha sendo feito até hoje." José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça

Esta declaração foi dada pelo ministro da Justiça. Não foi proferida pelo advogado ou pelo tesoureiro do PT. Um ministro da Justiça deve ser alguém que preza, acima de tudo, a República, a Constituição, o Estado de Direito, não os interesses de um partido comprovadamente corrupto e novamente sob suspeita. Temos, na pasta da Justiça, um militante partidário, em busca de uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal, para completar a bolivarianização da mais alta corte do país.

STF declara válida delação premiada de Youssef.


O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki homologou nesta sexta-feira o acordo de delação premiada firmado pelo doleiro Alberto Youssef, caixa do petrolão e um dos principais colaboradores das investigações sobre o escândalo. Agora, Youssef passa a receber benefícios judiciais em troca das informações que prestou às autoridades. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que também fechou acordo de delação, passou para o regime de prisão domiciliar quando teve o acordo homologado.
 
Nos vários depoimentos que presto, Youssef detalhou o esquema de pagamento de propina a políticos e então diretores da Petrobras, além de elucidar o esquema de fraudes em licitações da estatal. Também disse que empreiteiras envolvidas no escândalo repassaram dinheiro desviado da Petrobras para a campanha presidencial do PT em 2010 e simularam contribuições legais para ocultar a fraude. 

O doleiro ainda implicou no escândalo a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, conforme revelou VEJA.

Essa não é a primeira vez que Youssef celebra um acordo de delação premiada. Em 2004, o doleiro foi um dos colaboradores das investigações do esquema do Banestado. O acordo, porém, foi suspenso porque ele descumpriu regras firmadas com o Ministério Público e voltou a praticar crimes. Apontado como pivô do esquema, o doleiro foi preso em março, quando deflagrada a Operação Lava Jato. Bem relacionado com políticos, Youssef tinha estreito contato com parlamentares, entre eles os deputados André Vargas (Sem partido-PR), cassado na semana passada, e Luiz Argôlo (SD-BA).

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai esperar a volta do recesso do Judiciário, em fevereiro, para encaminhar ao Supremo os pedidos de abertura de inquérito contra parlamentares e autoridades citados nas delações de Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef. Ele já havia informado que, com a análise das delações, já tinha elementos suficientes para pedir ao STF o “desmembramento” dos casos. Permanecerão no Supremo inquéritos contra parlamentares, autoridades com prerrogativa de foro e casos em que a atuação no esquema estiver diretamente ligada aos políticos. (Veja)

Petrolão: todos sabiam! Venina acusa e entrega provas ao MPF em depoimento.

A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca (foto) prestou depoimento durante cinco horas ao Ministério Público Federal em Curitiba, contou que está sendo ameaçada e entregou milhares de documentos, como emails e relatórios internos de auditoria à força tarefa de procuradores que investiga o cartel de empresas e o desvio de dinheiro de obras da estatal. Segundo o advogado Ubiratan Mattos, que representa Venina, ela reafirmou que toda a diretoria da Petrobras sabia das irregularidades, incluindo Graça Foster, e os documentos devem ajudar a força tarefa nas investigações. 

Mattos explicou que Venina decidiu ajudar nas investigações depois de ver seu nome incluído entre os responsáveis pelas irregularidades nas obras da Refinaria Abreu e Lima, ao lado de Pedro Barusco Filho, da diretoria de Engenharia e Serviços, que mantinha contas no exterior a serviço do esquema. Barusco é ligado a Renato Duque e assinou acordo de delação premiada para minimizar punição, além de se prontificar a devolver cerca de R$ 100 milhões mantidos fora do país. - A vilã não é Venina. Ela está do lado da ética e sempre denunciou internamente. A diretoria toda sempre soube, incluindo a Graça (Foster) - disse Mattos. 

O advogado afirmou que Venina passou a ser intimidada por telefone após a primeira denúncia, com recados como "você está mexendo com gente grande". - Havia um processo de desconstrução da imagem da Venina. Colocar o nome dela ao lado de Pedro Barusco é um absurdo - afirmou Mattos. ( O Globo)

O discurso mentiroso do PT, o partido que criou e mantém o Petrolão, mas que fala como se o maior esquema de corrupção do país não tivesse sido criado por ele.

Rui Falcão com Dilma e Lula: "o PT não é uma organização de santos". Sim, é uma organização de muitos bandidos!

É de um cinismo sem precedentes a entrevista concedida pelo presidente do PT, Rui Falcão, ao jornal Valor Econômico de hoje. A começar pela seguinte declaração: "nós nunca dissemos que éramos uma organização de santos". Nem precisava dizer. O país inteiro, depois do Mensalão, sabe que o PT é uma "organização criminosa", segundo definiu a procuradoria geral da República. E uma "organização criminosa" que continuou atuando, criando o Petrolão, um esquema de roubo sem precedentes que está quebrando a Petrobras. 

Nas mãos mafiosas do PT,  a empresa perdeu mais de R$ 600 bilhões do seu valor. Vale pouco mais de R$ 100 bilhões. E deve mais de R$ 300 bilhões. Está quebrada. Desacreditada. Roubada, novamente, pelas maiores lideranças políticas desta "organização criminosa", conforme divulgado hoje pelo jornal Estado de São Paulo.

Leiam a declaração que Rui Falcão deu ao Valor sobre a roubalheira na Petrobras:

Eu acho (que a crise da Petrobras está se estendendo muito). Eu estou preocupado com esse patrimônio que representa 13% do PIB brasileiro e que foi vitima de um processo de corrupção que se arrasta por décadas, que tem contribuído para todo tipo de especulações, com outros interesses. Todos nós estamos de acordo. O PT soltou uma nota pedindo apuração até as últimas consequências, punição aos corruptos e corruptores, mas pedindo para preservar a empresa. A Petrobras propiciou o renascimento da indústria naval, que de 5 mil empregos tem mais de 100 mil empregados hoje, tem uma política de conteúdo nacional que cria uma reação em cadeia inclusive para o desenvolvimento industrial do país. Mas a empresa está em risco por causa da especulação, porque há interesses de acabar com o regime de partilha, a exclusividade da Petrobras e com a política de conteúdo nacional. No paralelo, se você torna inidôneas todas as grandes empresas que são fornecedoras ou prestadoras de serviço da Petrobras, não terá outro caminho a não ser trazer grandes empresas do exterior pra cá. Trazer as sete irmãs pra cá para dividir as concessões.

Esta declaração contém tanta esperteza e tanta mentira que choca qualquer brasileiro honesto. Primeiro, a tentativa de dizer que o Petrolão não é uma criação do PT. É a velha tática de culpar a oposição dos crimes lesa pátria que o petismo comete e cometeu.

Dizer que o PT quer investigação depois de ontem, quando os petistas Humberto Costa e Gleisi Hoffmann, juntamente com os peemedebistas Renan Calheiros e Romero Jucá, reuniram-se a portas fechadas para combinar o resultado de uma CPI mista no Senado, que aprovou um relatório onde não culpa nenhum político? É muita falta de vergonha na cara! É um acinte!

Renascimento da indústria naval? Ora, estes navios e plataformas produzidas no Brasil causaram tremendos prejuízos ao país, seja por custarem o dobro, seja por gerarem um propinoduto sem precedentes, como é o caso P-57, amplamente denunciado na Operação Lava-Jato, que fez com o que o MPF indiciasse, no Rio de Janeiro, o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli. Esta "indústria naval" está parada, demitindo milhares de empregados porque a Petrobras não paga as contas e porque os seus donos estão na cadeia.

É nauseante ver o presidente do PT tentando faturar em cima do nacionalismo, quando o seu partido roubou desavergonhadamente esta empresa que era o maior patrimônio nacional até que o seu partido colocou as mãos criminosas em cima dela. O regime de partilha nada mais é do que a perpetuação do propinoduto em toda a exploração do pré-sal. Se a Petrobras participa da exploração, o PT e seus aliados podem continuar metendo a mão nas compras, na definição dos preços do óleo, na manipulação das licitações, como a Operação Lava Jato está comprovando a cada dia, em novas descobertas e novas denúncias.

A empresa  não está em risco por causa da especulação, conforme declara o cínico Rui Falcão. Ela está quebrando porque o seu partido, o PT, segundo a delação premiada de vários envolvidos, montou um imenso esquema de corrupção dentro da estatal. Há nomes. Há documentos. Há testemunhas. Há montanhas de provas. Há centenas de milhões comprovadamente roubados para manter o projeto petista de poder. E para enriquecer seus próceres. O tesoureiro do PT será novamente indiciado. Será condenado. Será mais um tesoureiro do PT a ir para o fundo de uma penitenciária. 

Mas o que mais choca é a defesa que Rui Falcão faz dos corruptores. Das empreiteiras que pagaram as campanhas e a compra da base aliada no Congresso. E o faz porque enxerga neles apenas os doadores do seu partido. Os seus financiadores. Os fornecedores dos meios financeiros para que a "organização criminosa" chamada PT continue existindo, quando o certo seria que fosse fechada e colocada fora da lei, de uma vez por todas. Qual o problema de empresas multinacionais trazerem decência aos negócios da Petrobras, se o BNDES cria multinacionais para atuar em outros países, à custa de falta de capital para investir no Brasil? Ou o PT também montou algum propinoduto ainda desconhecido nestas obras internacionais?

Saiu o primeiro listão de políticos do Petrolão: 28 são beneficiários na delação premiada de Paulo Roberto Costa.

Primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa citou em 80 depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma lista de 28 políticos (clique na imagem para ampliar) – que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores.

O Estado obteve a lista completa dos citados. A relação inclui ainda parlamentares que integram a base aliada do Palácio do Planalto no Congresso como supostos beneficiários do esquema de corrupção e caixa 2 que se instalou na petrolífera entre 2004 e 2012.

Há nomes que até aqui ainda não haviam sido revelados, como o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em 2014, além dos deputados Vander Luiz dos Santos Loubet (PT-MS), Alexandre José dos Santos (PMDB-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS). Entre os congressistas, ao todo foram mencionados sete senadores e onze deputados federais.

O perfil da lista reflete o consórcio partidário que mantinha Costa no cargo e contratos bilionários da estatal sob sua tutela – são 8 políticos do PMDB, 10 do PP, 8 do PT, 1 do PSB e 1 do PSDB. Alguns, segundo o ex-diretor de Abastecimento, recebiam repasses com frequência ou valores que chegaram a superar R$ 1 milhão – dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais. Outros receberam esporadicamente – caso, segundo ele, do ex-senador Sérgio Guerra, que foi presidente nacional do PSDB e em 2009 teria pedido R$ 10 milhões para arquivar uma CPI da Petrobrás no Senado.

Sobre vários políticos, o ex-diretor da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a suas agremiações. Foram citados os ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB), do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – que morreu em um acidente aéreo em 13 de agosto, durante campanha presidencial.

Primeiro escalão. A lista inclui também o ex-ministro Antonio Palocci (PT), que ocupou a Esplanada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma; os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o atual ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e ex-ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte (Cidades).

Os 28 nomes são exclusivamente de políticos que teriam sido beneficiários dos negócios da diretoria de Costa. A Polícia Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e Internacional (Nestor Cerveró).

As revelações foram feitas em depoimentos prestados por Costa à força tarefa da Lava Jato e fazem parte do acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena. Desde que sua delação foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, ele cumpre prisão em regime domiciliar, no Rio.

Alguns nomes dessa lista também aparecem na relação fornecida pelo doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo semelhante – ainda não homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciar os envolvidos no esquema de desvios da estatal em fevereiro, quando tem início a nova legislatura (mais informações no texto abaixo).

A delação do ex-diretor da Petrobrás, já homologada pelo Supremo, estava com Janot desde novembro. Ele aguarda o teor do depoimento de Youssef para cruzar os nomes citados, o que deverá ser realizado até o início da próxima legislatura.

Foro. Na troca da composição do Congresso, alguns dos citados perdem foro privilegiado e passam a ser julgados pela Justiça de primeira instância. Por decisão do ministro Teori Zavascki, as investigações permanecem divididas entre a Suprema Corte e a Justiça Federal no Paraná, onde serão investigados os acusados que não têm mandato.

A lista de 28 nomes foi revelada por Costa exclusivamente no âmbito da delação premiada. Como são citados políticos com foro privilegiado, o caso foi parar no STF. Em depoimentos à primeira instância da Justiça Federal, o ex-diretor da Petrobrás não falou de políticos, mas citou que o PP, o PMDB e o PT recebiam de 1% a 3% sobre o valor dos contratos da estatal para abastecer caixa de campanha.

A investigação desvendou uma trama de repasses a políticos na estatal. A Lava Jato foi desencadeada em março e identificou a parceria de Costa com o doleiro Youssef. Na última fase da operação, deflagrada em 14 de novembro, foram presos os principais executivos e dirigentes das maiores empreiteiras do País, todos réus em ações penais por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes de cartel e fraudes a licitações. (Estadão)